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Alimentos poderão ter avisos para altos teores de gordura, açúcar e sal

Anvisa aprova relatório e começará a discutir forma de cumprimento de nova regra;

23/05/2018

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, 21, um relatório para que alimentos e bebidas passem a ser vendidos no país com rótulos de advertência para altos teores de gordura, açúcar e sal. A expectativa é de que a nova regra, que ainda está em discussão, seja publicada neste semestre e que novos rótulos estejam no mercado entre 180 dias a um ano depois da sua entrada em vigor.

A forma como essa advertência será estampada nos produtos, no entanto, ainda deverá ser definida num processo de tomada de subsídios. Interessados terão 45 dias para opinar, entre outras coisas, sobre o design que será adotado e sobre prazo que a indústria poderá ter para se adequar às novas regras.

Embora o relatório aprovado seja preliminar, a indústria alimentícia sai derrotada do processo. Sua proposta de advertência, considerada pela agência como confusa e pouco informativa, foi retirada da lista de seis formatos de avisos que poderão ser votados. “Nada impede que nós apresentemos novamente o formato durante a tomada de subsídios. E vamos fazê-lo”, avisou o gerente-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pablo Silva Cesário. As empresas deverão também pedir mais prazo para responder à tomada de subsídios.

O presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, afirmou, no entanto, que o prazo concedido é suficiente. Ele afastou, ainda, a possibilidade de se retomar a discussão para as advertências através de “semáforos”, como propõe a CNI. “Essa discussão já está superada”, afirmou.

O relatório propõe seis formas de advertências admissíveis. Elas podem vir estampadas em círculos, octógonos, triângulos ou virem em inscrições num quadrado. Além da advertência na parte frontal da embalagem, o relatório propõe mudanças na tabela nutricional. Ela deve incluir os teores de açúcar (hoje esse item não consta na tabela) e deixa de apresentar o item de gordura trans.

“Muitas vezes, o produto vem com zero de gordura trans”, observa Barbosa. “Isso poderia induzir o consumidor a pensar, erroneamente, que o produto é saudável, porque ele pode trazer uma quantidade muito grande de gordura saturada.” Ele observa, ainda que, como há a tendência de a gordura trans ficar restrita a apenas poucos produtos, tal inscrição se tornaria dispensável.

Os valores da tabela nutricional serão feitos também com uma referência padrão: 100 ml ou 100 gramas. Hoje, a referência muitas vezes são porções, como duas colheres, três unidades. “É preciso um padrão para dar ao consumidor a exata noção do que está consumindo”, afirma Barbosa. Os padrões que vão definir o que é alto teor de açúcar, gordura e sal foram estabelecidos pela própria Anvisa. “Eles são inspirados nos indicadores da OMS, mas com algumas diferenças”, disse Barbosa.

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